segunda-feira, 17 de maio de 2010

One more time.

" -Lamento Inês, mas estes 2 meses de fisioterapia ajudou um pouco, mas o teu problema continua lá, e ainda está muito sensível ao toque como podemos ver quando fui examinar os teus joelhos.

-Sim, e diga-me uma coisa, o quê que é suposto eu fazer com essa informação toda?

-Nada, simplesmente aguardares a decisão dos teus pais.

-Pois sim.

-Inês, minha querida filha, tem calma, a doutora não tem culpa do teu problema. Tudo se vai resolver.

-Sim, sim. Dois anos a dizerem-me a mesma coisa, a cantiga começa a fartar e o disco a ficar riscado.

-Tens sempre uma alternativa. Tens mais sessões de fisioterapia até isso estar mesmo bom, e visto que passou para o joelho esquerdo, farás nos dois.

-NÃO!

-Como não Inês?

-Eu recuso-me a fazer mais fisioterapia. Não leve a mal, mas eu estou farta. Na minha garganta já não passam mais comprimidos para as dores, nos meus joelhos já não há mais espaço para dores, o meu coração já não tem lugar para mais sofrimento e as minhas lágrimas secaram, eu não quero passar por isto mais dois meses.

-Eu compreendo minha querida, acredita que compreendo. Mas tudo isto irá passar, basta pensares positivo e lutares só mais um bocadinho, está bem?

-Sim. Eu lutarei, porque o prazer de fazer exercício, a alegria de dançar fazem com que eu agora esteja aqui pronta para ouvir tudo o que me tem a dizer, mas é mesmo só por isso, porque por mim eu já tinha desistido disto tudo.

-Claro, eu entendo a tua situação, mas também sei que és uma menina muito forte...

-Aí é que se engana, eu não sou mais forte do que você, nem sou menos do que tu pai, simplesmente tenho onde me apoiar, e tenho pessoas que me levantam sempre que caio, tenho sempre alguém que me diz "luta mais um pouco, amanhã já estarás melhor".

-Então continua a agarrar-te a essas pessoas, pois elas serão sempre o teu porto de abrigo.

-E agora? O quê que devemos fazer?

-Devem esperar, deixem-na pensar no que ela quer, dêem-lhe espaço.

-Só tenho mais uma pergunta.

-Diz lá minha querida.

-Quando é que eu posso voltar a dançar? Isto é, não é que eu não dançe, porque danço, e se dissesse que não o faço estaria a mentir, mas a minha pergunta é, quando é que posso voltar a dançar sem cair, ou sem precisar de ser levada ao colo depois de cada actuação para as paredes alegres ou para os móveis modernos que preenchem o meu quarto deixando um simples círculo onde eu mostro realmente o que sou e porque vivo.

-Isso é algo que eu não te posso dizer com certezas mas em breve.

-E isso para mim não é resposta. Diga lá, pior do que eu tenho de passar no dia-a-dia é impossível por isso diga de uma vez. Quando?

-Não sei.

-QUANDO?!

-Inês, já estás a passar os limites!

-Desculpe.

-Não tem mal. Respondendo á tua pergunta. Não sei. Não tem data.

-Mas eu preciso de uma data, eu preciso de pelo menos uma certeza do meio disto tudo. Eu não quero, eu simplesmente preciso.

-Infelizmente é algo que eu não te posso dar. É algo que ninguém te poderá dizer.

-O problema é esse, é que nunca me podem dizer o que realmente se passa.

-Muito obrigada por tudo Doutora, e mais uma vez peço desculpa por esta conversa.

-Não peça Senhor Luís, a sua filha ensinou-me muito em duas consultas. Ela luta, e se por acaso alguém disser o contrário manda-os passear porque quem diz isso, não sabe o que diz. E sempre, mas sempre que alguém com um problema parecido ao teu entrar neste consultório a querer desistir, eu darei sempre o teu exemplo, mas não da parte fraca, mas sim da parte de coragem, de força e de determinação.

-Eu não assim tão forte, senão não tinha chorado.

-Os fracos choram e deixam as lágrimas escorrerem, mas o fortes choram, erguem a cabeça, limpam as lágrimas e dizem "Amanhã será melhor" e tu, tu limpas-te a cara e dizes-te "Amanhã eu dançarei, amanhã eu não cairei".

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Escolhi. Lutei. Fiz a minha escolha valer a pena. Vivo com as alegrias e tristezas da vida.

Amo-te A.G @